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Local: Brasília, DF, Brazil

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Seminário Amazonas/Solimões


Amazonas/Solimões integrará eixo multimodal que irá ligar os oceanos Atlântico e Pacífico



(foto:Antaq)


A ANTAQ realizou ontem, no auditório da Agência em Brasília, o seminário sobre a Hidrovia Amazonas/Solimões, que fecha o ciclo de palestras sobre hidrovias iniciado a partir da criação da Superintendência de Navegação Interior (SNI) em outubro de 2006.
Abriram o evento o Diretor da ANTAQ, Murillo Barbosa, o Diretor de Transportes Aquaviários do DNIT, Michel Dib Tachy, o Diretor do Departamento de Infra-Estrutura e Logística do Ministério da Agricultura, Biramar Nunes Lima e o Secretário de Fomento para Ações de Transporte do Ministério dos Transportes, Pedro da Costa Carvalho.
Para Murillo Barbosa, a hidrovia Amazonas/Solimões tem papel central no desenvolvimento da navegação interior na região amazônica. O diretor enumerou ainda políticas que contribuirão para impulsionar o transporte hidroviário, dentre elas a decisão do Coordenador de Escoamento da Produção Agrícola da Conab, Francisco Olavo Sousa, de incluir as hidrovias no escoamento dos estoques. “Projetos como esse vão despertar o interesse na navegação interior e na cabotagem”, previu Barbosa.
Ao comentar o caso de outra hidrovia, a Teles Pires – Tapajós, Nunes Lima anunciou que há negociações em andamento na Câmara para incluí-la no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O objetivo é melhorar a navegabilidade da hidrovia, importante para transportar a soja da região norte do Mato Grosso até os portos do Pará. “E vai ser mais importante ainda para a produção de milho, cada vez maior, porque nesse caso o preço do frete pesa até mais do que para a produção de soja”, explicou Lima.
Michel Dib Tachy ressaltou a importância de se levar em consideração não só o transporte de cargas, mas também o de passageiros, ao se pensar soluções para a navegação interior na Região Norte. “É preciso haver um incentivo específico para atender a essa questão do transporte de passageiros, que é o principal meio de transporte de pessoas em boa parte da Amazônia”, defendeu.
Pedro Carvalho concordou com Tachy. “Não dá para separar passageiro de carga no Amazonas. Os dois viajam juntos lá. Por isso, parabenizo a ANTAQ, o primeiro órgão a regulamentar esse tipo de transporte”. Carvalho referiu-se à Norma 912, que estabelece regras para outorga de autorização para prestação de serviço de transporte de passageiros, e de serviço de transporte misto, na navegação interior de percurso longitudinal interestadual e internacional.
Palestras da manhã
O Diretor do Departamento do Fundo de Infra-Estrutura de Transportes do MT, Luiz Eduardo Garcia falou sobre as perspectivas para a bacia hidrográfica do Amazonas/Solimões. Uma delas é a de estabelecer a ligação entre os Oceanos Atlântico e Pacífico, por meio de um eixo multimodal, a partir do Porto de Manta, no Equador, até o Porto de Belém, no Pará. “Vai baratear muito os custos de transporte para o Brasil e oferecer uma alternativa ao Canal do Panamá”, disse.
Por esse caminho, as cargas seriam desembarcadas no Porto de Manta, no Equador, de onde seguiriam por terra até Francisco Orellana, no Peru, e de lá, partiriam por hidrovia até Belém, no Pará, completando assim a ligação Atlântico-Pacífico.
O economista e advogado Paulo Vicente Calefi, representante da Transportes Bertolini Ltda., reforçou a importância de criar alternativas ao canal do Panamá. “Hoje, se incluirmos a praticagem, o custo de passar pelo Canal chega a US$ 80 mil. O prejuízo é maior se consideramos o tempo gasto para chegar até Manaus, que chega a 36 dias”, contou Calefi.
A representante do Sindarma, Sílvia Monteiro chamou a atenção para o papel social da navegação interior na Amazônia. “Além de ser a única modalidade de transporte para os habitantes da maioria das cidades amazônicas, é também fonte de renda para os ribeirinhos”.Para o Superintendente da Administração das Hidrovias da Amazônia Oriental (AHIMOC), Elpídio Gomes, a hidrovia Amazonas/Solimões pode ajudar o país a impulsionar o comércio exterior. “Já ultrapassamos os Estados Unidos na exportação de soja, mas ainda podemos fazer muito mais e criar mais renda e emprego para os ribeirinhos”, disse.
(Fonte: ANTAQ) http://www.antaq.gov.br/